sexta-feira, abril 17, 2009

Matéria: Lenzi Brothers

Lenzi Brothers

Dizem que um bom filho à casa torna. Com os irmãos Marzio, Matheus e Buca, que também atendem pela alcunha de Lenzi Brothers, o velho ditado cai como uma luva. Depois do sucesso em 2008, eles escolheram subir a serra e encontraram na sua terra natal, Lages, o lugar ideal para a gravação do seu quarto disco, que deve sair no segundo semestre desse ano.

O sucessor do bem-comentado Trio, lançado no ano passado, ainda não tem nome definido, mas os brothers já adiantam que o álbum contará com treze faixas inéditas. Segundo o baterista Matheus Lenzi, as gravações iniciaram há pelo menos seis meses, e, por opção dos próprios músicos, está sendo feita num ritmo mais leve. “Gravamos quando nos sobra tempo, de uma maneira mais relax, sem pressa”, conta.

O estúdio onde têm rolado as gravações pertence aos membros da banda Yer, amigos dos Lenzi, que por este motivo escolheram o lugar. Na fase de captação, a produção do disco está por conta dos próprios irmãos. Assim que finalizarem a primeira etapa, partirão para São Paulo onde será feita a parte de mixagem e masterização. Segundo Matheus, é possível que na capital paulista ainda possam convidar outros músicos para participações especiais. O produtor e o período desta segunda etapa ainda não estão decididos.

Além da liberdade das pressões, que levou a banda a escolher Lages para a fase de gravação, o retorno a serra catarinense também tem a ver com o desejo dos três de atingirem uma sonoridade mais distinta do disco anterior, gravado em Balneário Camboriú, cidade adotada pelos caras. Apesar disso, Matheus avisa que os dois ainda terão semelhanças. “O novo disco é mais parecido com nosso último, o ‘Trio’. Ele é rock, dançante e energético”.

Apesar da tendência mundial em lançamento de discos somente pela internet, eles pretendem lançar o novo trabalho em formato físico. Segundo Matheus, a banda ainda não definiu se será distribuído de forma independente ou por algum selo, e por isso ainda não sabem se vão disponibilizar o disco inteiro também para download. “Mas se tudo ocorrer como planejamos, em julho será lançado o primeiro single na internet”, revela.

E eles terão que se superar para bater o reconhecimento do disco Trio, que traz as melhores canções do grupo em treze anos de estrada, como “Allana” e “Abstinência”. Foi através dessas músicas que os irmãos alcançaram maior visibilidade em âmbito nacional no último ano. Uma prova disso é o reality show da MTV “Cachorro Grande em Busca da Fama”, que trouxe os gaúchos ao sul do país para mostrar os destaques independentes nos três Estados. A Lenzi Brothers saiu vencedora e desde então tem aparecido com freqüência na emissora e em outros veículos de comunicação, além de contar com uma agenda de shows movimentada.

Falando em MTV, recentemente estreou na programação do canal o videoclipe da música “Abstinência”, que faz parte do disco anterior dos Lenzi. Pra completar, no mês de maio eles fizeram uma mini-tour passando por três Estados tupiniquins. A viagem, que esteve em São Carlos-SP e Uberlândia-MG, terminou no famoso festival “Bananada”, em Goiânia-GO, sendo uma das únicas bandas a representar o sul do país.

Publicado no site Válvula Rock

Por Juliete Lunkes e Anderson Davi

terça-feira, março 10, 2009

Matéria: Parachamas

Nada pode pará-los!


Se o ano que passou superou expectativas, o atual promete ser ainda melhor. Pelo menos no que depender do otimismo dos blumenauenses do Parachamas. Dois mil e oito foi sem duvida um ano de muitas vitórias para o sexteto, mas as novas metas pessoais do grupo ainda prometem muito para os meses que estão por vir.
Em fevereiro deste ano, dando continuidade a boa fase alcançada pelos garotos, o site Zona Punk elegeu “Bem Vindo” - o último EP do Parachamas - a melhor Demo de 2008. A premiação, que é uma eleição aberta, provou não apenas a boa divulgação que o EP teve, como também a qualidade de um trabalho que envolveu muito suor de toda a banda.
O resultado da boa divulgação e a oportunidade de aparecer tocando para todo país no programa da Music Television “Cachorro Grande procura”, no final do ano passado, rendeu ainda mais frutos. Ela também fez com que Alexandre (vocais e guitarra), Alex, (bateria), Rodrigo Boka (baixo), Ricardo (guitarra), Beto (trombone) e Dido (trompete), fizessem suas malas e partissem para dois shows no estado de São Paulo. Uma nova parceria assinada este ano facilitou o contato para as apresentações. “Agora estamos com uma pessoa responsável por fechar nossos shows e tratar de assuntos relacionados à banda, ou seja, temos uma produção”, revela o vocalista Alexandre. Os shows foram realizados nos dias 21 e 22 de março nas cidades de Sorocaba e Santo André e marcaram as primeiras apresentações do Parachamas no estado paulista.
O grupo, que antes contava com sete membros, recentemente divulgou a saída da saxofonista Talita. Porém, segundo Alex, a saída de Talita não está vinculada à entrada de um substituto. “Esse assunto não é nem pauta em nossas conversas. Apesar de acharmos que um saxofone é interessante nas composições, não seremos uma banda melhor ou pior sem ele.”, garante o baterista.
Atualmente a atenção e dedicação dos garotos estão voltadas para gravação do novo EP. A pré-produção, dessa vez acompanhada por um produtor musical, teve início no mês de outubro, e o EP deverá ser lançado no segundo semestre deste ano. Assim como em “Bem Vindo”, o novo trabalho também vai contar com cinco faixas. As músicas já vêm sendo tocadas em shows há algum tempo e a intenção dos garotos agora é deixar o som com uma cara mais pop dentro da identidade que a banda já possui. “Nossas novas composições têm uma sonoridade mais próxima do que queremos para nós, e isso explica o fato de lançarmos mais um EP antes de um disco cheio”, revelam.
Outra novidade é o lançamento de um videoclipe, também previsto para esse ano. A música do clipe ainda não foi revelada, mas segundo Alexandre, o vídeo não tem nenhuma relação com o novo EP e será simples e de baixo custo. “O clipe vai ser algo além do ‘lado B’. Eu diria: ‘Total hand made’ devido à forma de captação e edição.”, completa.
Até agora o Parachamas só deu um aperitivo do que vem por aí ao longo do ano. Assim como em 2008, o que esperam agora é ter o devido reconhecimento perante os esforços que tiveram. “Nada caiu do céu, portanto, não esperamos milagres. Iremos trabalhar vinte vezes mais”.

Publicado no ste Válvula Rock

Por Juliete Lunkes Juliete Lunkes

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Matéria: Calvin

Calvin Envernizada

Banda prepara Videoclipe e um pacote de novidades neste mês

Talvez nunca em dez anos de história, a Calvin, de Timbó, esteve tão ansiosa e com tantos planos para o futuro da banda. O motivo de tanta expectativa gira em torno de uma música, que junto trará um leque de novidades, preparadas com cautela nos últimos meses pelo quinteto. Trata-se do single Verniz, que aos poucos se transforma em videoclipe, em EP e em novo Myspace, só pra começo de conversa.
A Calvin possui um trajetória iniciada em 1998, com um EP, em 2004, e um CD de estúdio: “Abre, sou só eu (ou: Mais do nada)”, em 2006. Com o lançamento deste debut álbum, através da Porão do Som Discos, o número de fãs aumentou consideravelmente, traçados em uma rota de shows que vai Brasil afora, onde são sempre bem acolhidos pelo público. Em 2009, o quinteto de Timbó, promete ampliar ainda mais esse alcance.
O ponto de partida é o single Verniz, gravado ainda no ano passado, que representa para o grupo uma nova fase em sua história. A música, que já chegou a ser vinculada na programação da Atlântida, começou a virar clipe em outubro de 2008.
As filmagens aconteceram no Butiquin Wollstein, em Blumenau, e o trabalho seguiu a risca a cartilha dos independentes: todo mundo ajudando no que pôde. Assim, Felipe Rischbieter assumiu a direção no set, Léo Biz ficou com a produção e mais amigos apareceram para dar uma mão no que podiam, até mesmo na figuração. “Foi muito trabalhoso, mas todo mundo curtiu um monte e isso que importa”, conta o tecladista Marcelo Kaiser.
A partir de então veio a parte mais demorada: a edição. O que era para ser finalizado no começo do ano se estendeu até o fim de fevereiro, isso por conta das enchentes que assombraram a região do vale em novembro. No momento, o clipe está no processo de pós-produção, com os integrantes analisando o que pode ser melhorado, para lançar no final deste mês de março.
“A idéia do vídeo é captar a banda tocando e ao mesmo tempo o ambiente em volta, sem nenhuma história específica, já que a música tem uma história própria”, explica Kaiser.
E é justamente o videoclipe que está atrasando as demais novidades. O projeto da Calvin é lançar o single Verniz em um EP, que virá com possivelmente mais três músicas, duas versões de sons de 2004 regravados em 2008, “3, 2, 1, Fim” e “Depois da Chuva”, além de outra nova canção.
Junto com as músicas, o plano é colocar um combo de bônus de divulgação do trabalho. Além do clipe, estarão fotos das filmagens e de divulgação, release e alguma outra coisa, mas nada definido pela trupe ainda. De certo mesmo é que a tiragem física será pequena, privilegiando os fãs que se interessarem pelo projeto. “É um EP ‘hiper-promocional do clipe’ e já estamos angustiados para mandar isso pra todo mundo”, comenta o tecladista.
Assim que lançado o clipe, entra no ar também o novo Myspace da Calvin, como novo layout, além das novas camisetas e do novo show, ou seja, tudo novo. A banda já tem algumas datas na agenda, mas está preparando um giro maior pelos palcos da região e do país quando Verniz finalmente entrar em cena.
“Está todo mundo bem empolgado”, revela Chico, frontman da Calvin “porque tudo o que envolve esse próximo trabalho possui uma proposta bem mais amarrada do que qualquer coisa que a gente já tenha feito.”
Enquanto vive esse ar de expectativa, a Calvin já trabalha duro no próximo passo após Verniz, um novo disco, o segundo da sua história. A banda passa por uma fase de composição e já está gravando novas músicas para o álbum. O grupo garante ter um grande número de canções inéditas, que atualmente passam pelo processo de triagem para decidir o que será registrado.
Por outro lado, o quinteto não tem pressa em lançar algo novo e está preocupado mesmo com a qualidade do material sucessor de “Abre Sou Só Eu (Mais do Nada)”. Segundo o tecladista, o objetivo é lançar ainda este ano, mas não é garantido, uma vez que “os integrantes são muito detalhistas e querem fazer deste álbum o melhor possível”. O jeito é aguardar para ver o que a Calvin reserva para 2009, ou melhor, “ano onze”, como dizem os próprios calvinistas.

Os dez anos da Calvin

Tudo começou em 1998 com a aquela velha história de dois amigos que queriam formar uma banda rock. Apesar dos singelos 14 anos, Chico, que cantava e tinha acabado de ganhar uma guitarra, e Billy, que foi presenteado com um baixo, empunharam seus novos instrumentos nas costas e começaram a tirar músicas de suas bandas preferidas.
Numa época em que o máximo que se ouvia de rock nas rádios era O Rappa, a Panchos, como era denominada a Calvin no final dos anos 90, achava que poderia ter um papel importante na historia do rock de Santa Catarina. E realmente teve.
Se hoje esses garotos de Timbó já fizeram shows em várias cidades de diferentes Estados brasileiros, há alguns anos a coisa não era bem assim. O primeiro show da banda, que já contava com Denis na bateria, foi no aniversário de 15 anos do vocalista Chico, ainda 98. O set list do show foi composto por três músicas: When I Come Around, do Green Day, Song 2, do Blur e Everything About You, do Ugly Kid Joe. “Depois disso, os shows eram em festinhas de amigos aqui, eventos da cidade ali.”, conta o frontman.
Depois de três anos divertindo o ínfimo público tocando apenas covers, resolveram então que era hora de partirem para suas próprias composições. Seguindo influências que iam do punk rock ao rock alternativo, as músicas iam surgindo uma atrás da outra, e junto com elas a idéia de trocar o nome da banda. Foi então que em 2001 a Panchos passou finalmente a ser chamada de Calvin, pois, segundo Chico, “aquele nome nunca seria levado a sério.”
Após a entrada do guitarrista Benny, os garotos passaram a conviver com a amarga experiência de tocar suas músicas próprias à um público que nunca tinha ouvido aquilo antes.Em 2004, com o lançamento do primeiro EP, gravado de forma totalmente caseira, as coisas começaram a melhorar para o quarteto. Com a ajuda da internet, as músicas conseguiram alcançar um público significativo, fazendo com que a banda fosse convidada a se apresentar em vários festivais de rock. Foi quando finalmente a Calvin conseguiu um espaço sólido não apenas no underground catarinense como também no nacional.
Com o sucesso do EP acabou surgindo, em 2006, a proposta do selo Porão do Som para a gravação do primeiro CD. Logo nessa época Benny teve que abandonar a banda por questões profissionais, deixando seu posto para Juvi, o atual guitarrista. A gravação do CD “Abre, sou só eu (ou: Mais do nada)” foi feita no mesmo ano, e contou com músicas compostas entre 2001 e 2005. “É um negócio meio maluco, porque a gente amadureceu muito nesse meio tempo.”, explicam.
Atualmente a formação da banda continua contando com Chico nos vocais e guitarra, Billy no baixo, Denis na bateria, Juvi na guitarra e este ano passou ainda a ter Kaiser no teclado. Segundo os integrantes, a banda precisava desse reforço ao vivo, já que os arranjos passaram a ser mais complexos.
Em comemoração ao aniversário de 10 anos, completos em 2008, a banda dedicou uma surpresa aos fãs. No mês de junho do ano passado eles regravam duas músicas do EP lançado em 2004 e colocaram novamente para download gratuito na internet. As músicas “3, 2, 1, Fim” e “Depois da Chuva” ganharam melhores arranjos e uma gravação mais profissional. Não à toa arrancaram elogios dos fãs presenteados.

Publicado no site Válvula Rock Juliete Lunkes

Por Juliete Lunkes e Anderson Davi

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Matéria: Aerocirco


O espetáculo vai começar, e agora é ao vivo!

Sendo uma das principais referências da musica autoral catarinense e carregando três discos na bagagem - lançados entre 2003 e 2007 - o Aerocirco busca agora inovar utilizando seus trabalhos antigos. O quarteto de Florianópolis formado por Fábio Della (voz e guitarra) Maurício Peixoto (guitarra), Rafael Lange (baixo) e Henrique Monteiro (bateria), promete agora um CD totalmente ao vivo. O disco, que leva músicas dos três CDs anteriores da banda - o homônimo lançado em 2003, O Som das Paredes de 2005 e o Liquidificador de 2007 - foi gravado no mês de abril em um show que bateu os recordes de público do famoso reduto alternativo de Florianópolis, o Célula.
O show contou com participações de algumas bandas amigas e já conhecidas na cena underground aqui do sul, como a Maltines e a Kratera, ambas de Florianópolis, o Lenzi Brothers, de Balneário Camboriú, e os curitibanos do Terminal Guadalupe. Algumas participações que também estavam previstas (com as bandas Samambaia Sound Club e Tijuqueiras) não puderam acontecer por questões de agenda.
O disco, que está sendo mixado e masterizado no estúdio do vocalista Fábio Della, o Lom Music, deverá ficar pronto no final do mês de agosto e o show de lançamento, que também será no Célula, está previsto para o dia 6 de setembro. Ao todo serão 19 músicas, incluindo “Ser Quem Sou” que virou videoclipe e já faz parte da programação do canal MultiShow, e também os hits “Liquidificador”, “Tarde Demais”, “Incontrolável, e “Tão Rainha”.
A novidade também é a forma com que o disco será lançado. Todas as faixas estarão disponíveis para download no site da agência da Aerocirco, a Panela de Pressão. Segundo Della, o site está sendo desenvolvido para a banda disponibilizar vários CDs, a começar pelo ao vivo da Aerocirco. Até aí nada de estranho, porém, o acesso ao download será via senha que vai ser distribuída em shows e também no site da banda. “É um modelo novo que iremos praticar daqui pra frente.”, explica.
Em 2007, com o lançamento de “Liquidificador”, o Aerocirco conseguiu se consolidar não apenas nos três estados do sul como também na região sudeste. Com um público cada vez maior e mais caloroso, a banda acabou fazendo shows nos palcos das principais capitais do país, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A safra de sucessos do ano passado também inclui a indicação para o Prêmio Toddy de Música Independente, na categoria Destaque Regional, além de receber vários elogios da crítica especializada em grandes publicações nacionais, como a revista Rolling Stone e o jornal Folha de São Paulo, e também uma participação no Jornal da MTV.
Mas 2008 também não está deixando a desejar para os aerocircenses. No início deste ano, o quarteto se apresentou na edição catarinense do Planeta Atlântida, em Florianópolis, e recentemente foi convidado a participar do tributo ao White Álbum dos Beatles. O disco completa 40 anos em 2008 e o Aerocirco já entrou em estúdio para gravar a música Hey Jude, que apesar de não fazer parte do Álbum Branco, foi um single lançado na mesma época. Entre as bandas que participarão do tributo também estão nomes importantes como Pato Fu, Zé Ramalho e Lobão.
A banda também participou no mês de julho do reality show “Cachorro Grande em Busca da Fama”. O programa, que será transmitido pela Music Television, põe os gaúchos do Cachorro Grande para percorrer a região sul do país procurando novos talentos do rock. Não surpreendentemente, a banda escolhida na etapa de Florianópolis foi o Aerocirco.
Agora, enquanto o disco novo não fica pronto, é sempre bom dar uma conferida no Myspace dos caras. Lá sempre rolam atualizações no blog, além de algumas músicas para download. E depois, respeitável público, é só esperar o espetáculo começar.

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Por Juliete Lunkes Juliete Lunkes

quinta-feira, novembro 06, 2008

Matéria: Pipodélica

Não Esperem por eles

O mês de março ficou marcado para os catarinenses amantes do rock’n’roll. A banda Pipodélica, após oito anos de existência, anuncia, com pesar, o fim de suas atividades. Para quem acompanhou de perto os rumores sobre a Pipodélica nos últimos dois ou três meses antes do fim definitivo, a notícia já não soou tão surpreendente assim. Porém, não menos triste.
A banda, formada em meados de 2000 em Florianópolis, despede-se deixando aos fãs um ótimo legado, dezenas de conquistas e quatro discos - entre EPs e LPs. Para fechar com chave de ouro os oito anos de carreira, os pipodélicos oferecem um belíssimo presente, digno de quem sai “por cima”: um último CD, que segundo os próprios músicos é, por unanimidade, o melhor trabalho de toda a carreira da banda.
O disco, intitulado “Não Esperem Por Nós”, foi lançado pela Pisces Records, sendo disponibilizado para download no dia dez de abril gratuitamente em parceria com o MySpace Brasil. Arrancando inúmeros elogios de quem já teve acesso ao CD, as treze faixas que compõem esta última obra conseguem atingir sonoridades bastante distintas umas das outras, deixando o disco com uma cara divertida e bastante diversificado, diferenciando-o dos trabalhos lançados anteriormente.
Já de cara o disco surpreende com uma bela e melancólica introdução, intitulada “A ferida”, para depois começar imediatamente a diversão em “Já não dá mais” e mesclar diferentes estilos até a última faixa do CD. Não existe uma música ruim, existem músicas diferentes, em que ora você levanta para dançar, ora senta para ouvir. O ponto alto do disco fica na quinta faixa, intitulada “Essa história”, e também na faixa que finaliza o excelente álbum, em “Criança Velha”, talvez a mais diferente e reflexiva de todo o disco.
Outra novidade da Pipodélica é que o MySpace em breve lançará também um documentário no “Myspace TV”, que mostrará algumas imagens da gravação das músicas. Já os fãs mais aficionados por discos em formato físico podem ficar tranqüilos, pois existem indícios de que o lançamento deve acontecer.
Mas, novidades à parte, não há quem não lamente o fim da Pipodélica, que foi umas das bandas mais importantes, promissoras e principalmente inovadoras do cenário independente de Santa Catarina desta última década. O grupo se destacou pela participação nos mais importantes festivais de música do país, como o Upload (SP), Bananada (GO), Senhor F (DF), Ruído (RJ), Curitiba Pop Festival (PR) e Claro que é Rock (Florianópolis), entre outros. Além dos festivais e de participações em outros projetos, eles também excursionaram com o Los Hermanos em 2003 e foram reconhecidos pela crítica nacional por todos os trabalhos lançados.
Segundo o baixista M. Leonardo Kothe, uma série de fatores contribui para o fim da Pipodélica. Além dos projetos pessoais que cada um dos integrantes já possuía anteriormente, e que de certa forma acabavam interferindo na qualidade da banda, ele menciona também os conflitos de interesse que inevitavelmente acabam surgindo com o passar do tempo. Conflitos esses que são bastante comuns em um grupo onde interagem quatro cabeças pensantes e oito anos de convivência como banda. “O relacionamento de uma banda é comparável a um namoro. Neste caso, se já é complicado um relacionamento a dois, imagine a quatro.” explica Leonardo.
Até a finalização das gravações do “Não Esperem Por Nós”, no ano passado, o quarteto ainda não sabia que este seria seu último trabalho, e até o presente momento não está nos planos dos músicos uma última apresentação, nem mesmo um ‘revival’ ou algo do gênero. Quando questionado sobre um possível show de despedida, Leonardo foi breve “Acho improvável. A Pipodélica definitivamente encerrou suas atividades”.
Entre os rumos que cada um dos quatro integrantes seguirá daqui pra frente estão inúmeros projetos. O guitarrista Felipe Batata toca em uma banda de covers chamada Morning Sun. O vocalista e guitarrista Eduardo Xuxu está lançando seu CD solo, intitulado “Outro Doce” (www.myspace.com/eduardoxuxu). Já Leonardo acabou por disponibilizar seu próprio projeto, denominado “Projeto Caos 666” (www.myspace.com/projetocaos666), além de dar continuidade a sua oficina de luteria.
Com essa derradeira e brilhante obra em mãos, nos resta agora aproveitar tudo o que a Pipodélica deixou ao longo de todos esses anos. Jamais deixaremos de “esperar por eles” e torceremos para que virem adeptos da atual tendência dos revivals. E o quanto antes!

Publicado na revista Válvula Rock

Por Juliete Lunkes