segunda-feira, abril 21, 2014
Ilustrador Will Costa expõe retratos de estrelas da música, televisão e cinema
Aos 14 anos, após entregar para Hebe Camargo um retrato que havia desenhado dela e receber de volta um sincero elogio, o ilustrador Willian Costa começou a se convencer de que talvez tivesse mesmo todo aquele talento que os amigos e familiares viviam insistindo que ele tinha. Mas nem por isso ele levou a sério o ofício. Só agora, aos 32 anos, meses depois de ter finalmente largado tudo para encarar o desenho como profissão, ele faz sua primeira exposição. A mostra, aberta à visitação até 11 maio no Floripa Shopping, traz desenhos ultracoloridos de estrelas da música, do cinema e da televisão, feitos a lápis de cor e digitalizados.
Apesar de garantir que gosta de todos os artistas que retrata, Will, como é conhecido, destaca como favoritos os desenhos da atriz Lupita Nyong’o e dos ídolos pop Madonna, Cindy Lauper e Michael Jackson. “Gosto de alguns mais do que de outros, tipo a Lupita, um desenho que utilizei uma cor que nunca havia usado antes. Para escolher os artistas às vezes também faço enquetes na minha página no Facebook e as pessoas ajudam a decidir”, explica.
Sandy, Xuxa, Ivete Sangalo, a cantora Clarice Falcão e o humorista Paulo Gustavo foram alguns dos nomes retratados por Will que receberam das mãos do artista seus quadros e posam sorridentes em fotografias ao lado de seus rostos desenhados. Para ele, um grande sonho seria entregar o retrato de Cindy Lauper à cantora, retratada com sua fisionomia clássica dos anos 1980.
Apesar de desenhar desde muito cedo, foi no ano passado, após criar sua página para mostrar os desenhos que fazia como hobby, que Will passou a ter a segurança necessária para encará-lo como profissão. Antes disso, prestou vestibular para arquitetura, trabalhou em lojas, formou uma banda, fez cursos de turismo e línguas, morou em Londres e entrou na faculdade de publicidade e propaganda.
“Todo mundo fala que eu demorei muito para fazer isso, mas foi só tendo contato com outros desenhistas pela internet que eu percebi que estava influenciando gerações mais novas e passei a me intitular como ilustrador”, conclui.
Apoio de casa
Hoje, além de retratar estrelas pop, Will também faz trabalhos sob encomenda. Já atendeu pedidos de fãs de cantoras que queriam desenhos exclusivos, já retratou pessoas comuns que queriam desenhos seus inspirados nos dos artistas e desenhou até noivos. “Quando eu ainda não encarava o desenho como profissão as pessoas me pediam para fazer e eu não sabia nem como cobrar, fiz muita coisa de graça. Depois meu pai foi me ajudando nessa questão”, lembra o ilustrador, que agora vende seus quadros expostos por R$400.
A família, aliás, é uma das principais incentivadoras – e divulgadoras – do trabalho de Will. “Meu pai costumava levar para o trabalho a pasta que eu guardava os desenhos para mostrar aos colegas. Quando ele e minha mãe viram a exposição pronta, seus olhos brilharam”.
Por enquanto ele não tem nenhum plano concreto de levar a mostra para outras cidades, mas desde que ela abriu, no último dia 15, ele tem recebido pedidos de admiradores de várias partes do país para circular com seu trabalho. “Gostaria de levar para o interior do Estado, mas principalmente para São Paulo, um lugar onde as pessoas consomem muita arte”, projeta.
Publicado no jornal Notícias do Dia
terça-feira, abril 08, 2014
Uruguaio Gabriel Calderón acompanha segunda peça de sua autoria montada em Florianópolis
As andanças do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón por Florianópolis começaram em 2008, depois que a atriz Milena Moraes leu a peça “Mi Muñequita” e ficou encantada com texto do autor, que na época tinha seus 20 e poucos anos. A convite dela, o diretor Renato Turnes entrou em cena e, com a verba de um extinto edital da prefeitura, tirou a montagem do papel. “Mi Muñequita” acabou circulando até meados de 2012 em várias cidades brasileiras e também no Uruguai. Agora, dois anos depois de encerradas as apresentações do espetáculo, Calderón está de volta à Capital onde acompanha a temporada de estreia de “UZ”, outra adaptação de uma das suas peças feita pela Cia La Vaca, formada por Turnes e Milena.
Mesmo sem ter se envolvido diretamente com grupos locais, a não ser com o trabalho da dupla, a experiência por aqui já mostrou a Calderón as gritantes diferenças entre a produção catarinense e a uruguaia.
“Não consegui acompanhar a produção teatral em Santa Catarina, mas minha primeira visão é de que há um sistema bastante desorganizado, mas em contrapartida, há gente muito talentosa, atores de qualidade e um núcleo de criadores que trabalha havendo ou não verba para isso”, observa. Um dos momentos que impressionaram o autor, inclusive, foi a fala de uma servidora da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), que faz parte do movimento grevista, durante a pré-estreia de “UZ”. Outra questão bastante evidente diz respeito ao próprio público. “Lá as pessoas tem muito mais essa cultura de ir ao teatro”.
Mas se pode parecer surpreendente um autor – que também dirige e atua – de 31 anos ter mais de uma dúzia de peças de sucesso no currículo, há 10 anos a situação no Uruguai era totalmente oposta. “Não havia ninguém com menos de 30 anos e um ou outro com menos de 40. Com o governo de esquerda essa tradição se rompeu e hoje temos jovens de 18 anos começando a escrever. Eles podem ainda não ser muito bons, mas são melhores do que aqueles antigos que predominavam”.
O importante é fazer
A segunda parceria entre Milena, Renato e Calderón surgiu de maneira mais natural, embora menos arrebatadora, pelo menos para a atriz. Se “Mi Muñequita” havia conquistado a dupla de primeira, com “UZ” não foi bem assim. “Logo depois de “Mi Muñequita” ele disse que tinha uma peça que iríamos amar, mas quando li não tive a mesma reação, depois é que fui me acostumando e entendendo melhor”, conta a atriz. “O texto toca em pontos que já estavam presentes em “Mi Muñequita”, mas em termos estruturais é bem diferente. É mais linear e tradicional”, completa Turnes.
O autor deu total liberdade para o diretor fazer as alterações e se divertir com a montagem, e foi exatamente o que ele fez. Além de alongá-lo em alguns minutos, Turnes adaptou determinadas questões para que ficassem o mais próximas da realidade do Brasil atual e acabou promovendo uma reflexão sobre o papel da religião na política do país.
“O resultado foi um redescobrimento do que eu escrevi, até os personagens se tornam diferentes. Mas se for para fazer jeito que eu quero, eu mesmo vou lá e faço. O texto é apenas mais um elemento, o importante é que se faça teatro”, conclui autor.
Publicado no jornal Notícias do Dia
segunda-feira, março 31, 2014
Guitarrista do Guns N' Roses leva dezenas de músicos e fãs para workshop em Florianópolis
Enquanto cerca de 80 músicos, ou simplesmente fãs
de Guns N’ Roses, se amontoavam em uma das salas de aula do GTR
Instituto de Música na noite desta segunda-feira (31), em Florianópolis,
na salinha ao lado o guitarrista Ron “Bumblefoot” Thal comia castanha
de caju e esperava a hora de ministrar mais um workshop da
série que ele vem promovendo em algumas capitais brasileiras. “Eu adoro
isso aqui”, dizia enquanto mastigava um punhado da especiaria
tipicamente brasileira. “Não estou fazendo esses workshops em
todas as cidades em que tocamos, só nas que tenho bons parceiros para
isso”, disse apontando para parte da equipe de professores do instituto
que o acompanhava no backstage.
Essa é a segunda vez que o guitarrista do Guns N’ Roses vem a Florianópolis. Em fevereiro de 2013 ele participou de um evento na Capital ao lado dos também companheiros de banda Chris Pitman e Frank Ferrer com o projeto Blowout, na Posh Club. “Ano passado definitivamente deu para irmos à praia e tudo, dessa vez não conseguimos, viemos direto do aeroporto. Então meu plano para hoje é conhecer o pessoal que está aqui e fazer um som com eles”.
O guitarrista, que se prepara para o show do Guns N’ Roses nesta terça-feira (1º) no Devassa On Stage, quando questionado sobre um possível atraso, desses que os fãs já estão quase acostumados a enfrentar, foi enfático. “Eu sempre estou pronto na hora certa, quem atrasa é o vocalista”, brincou, em tom de verdade, referindo-se a Axl Rose.
Segundo ele, a banda acaba não tendo muito contato com o frontman fora dos palcos. “Nós viajamos separados e ele geralmente chega depois. Nos falamos mais por e-mail, às vezes jantamos juntos, mas eu geralmente tenho muitas coisas para fazer, e ele também”.
Durante o workshop, Bumblefoot tocou algumas músicas, fez piadas, arriscou várias palavras em português, respondeu perguntas do público e mostrou algumas de suas técnicas na guitarra.
Publicada no jornal Notícias do Dia.
Essa é a segunda vez que o guitarrista do Guns N’ Roses vem a Florianópolis. Em fevereiro de 2013 ele participou de um evento na Capital ao lado dos também companheiros de banda Chris Pitman e Frank Ferrer com o projeto Blowout, na Posh Club. “Ano passado definitivamente deu para irmos à praia e tudo, dessa vez não conseguimos, viemos direto do aeroporto. Então meu plano para hoje é conhecer o pessoal que está aqui e fazer um som com eles”.
O guitarrista, que se prepara para o show do Guns N’ Roses nesta terça-feira (1º) no Devassa On Stage, quando questionado sobre um possível atraso, desses que os fãs já estão quase acostumados a enfrentar, foi enfático. “Eu sempre estou pronto na hora certa, quem atrasa é o vocalista”, brincou, em tom de verdade, referindo-se a Axl Rose.
Segundo ele, a banda acaba não tendo muito contato com o frontman fora dos palcos. “Nós viajamos separados e ele geralmente chega depois. Nos falamos mais por e-mail, às vezes jantamos juntos, mas eu geralmente tenho muitas coisas para fazer, e ele também”.
Durante o workshop, Bumblefoot tocou algumas músicas, fez piadas, arriscou várias palavras em português, respondeu perguntas do público e mostrou algumas de suas técnicas na guitarra.
Publicada no jornal Notícias do Dia.
domingo, março 16, 2014
Modernos ou antigos, procura por toca-discos aumenta com a volta dos LPs
Em meados de 2008, quando começou a pipocar no
Brasil a notícia de que lá fora a venda de discos de vinil vinha
aumentando exponencialmente, muita gente duvidou que o bolachão fosse de
fato voltar às estantes dos brasileiros saudosistas e mais ainda que
ganharia a atenção de jovens que usavam fraldas quando ele começou a
sair de cena por aqui. Mais de cinco anos se passaram, a única fábrica
de discos da América Latina, que estava parada, voltou a produzir,
músicos brasileiros começaram – ou voltaram – a lançar suas músicas em
LP e já não restam dúvidas de que o mercado está mesmo aquecido. A
questão agora é outra: é fácil e acessível encontrar aparelhos, novos ou
antigos, para rodar a velha novidade? E a manutenção para quem for
tirar o pó do toca-discos guardado há 20 anos, é viável?
Mais do que a vontade de trazer o velho ritual de volta e a disposição de vasculhar, quem precisa estar preparado antes de tudo é o bolso do colecionador mais saudosista. É entre R$150 e R$5.800 que ele deve deixar na loja de artigos usados se quiser adquirir um toca-discos, uma vitrola ou mesmo radiola, nem sempre funcionando muito bem.
O vasto acervo eletrônico da loja Mania Móveis Usados, no Centro de Florianópolis, conta hoje com aparelhos da década de 1940, como a radiola em perfeito funcionamento que sai pela bagatela de R$4.800, até os toca-discos mais “modernos”, da década de 1980, que ainda precisam passar por revisão e podem ser levados para casa por R$150. Embora a loja comercialize alguns aparelhos que não passaram pelas mãos de um especialista em recuperação, a maior parte dos que são colocados à venda receberam todos os ajustes necessários e dão um banho em muito produto novinho em folha.
De acordo com Vanderlei Cordeiro, proprietário da loja, o que define o valor de cada aparelho não é exatamente a idade dele, mas justamente seu estado de conservação e funcionamento. Normalmente ele põe um lucro de 100% em cima de cada um dos produtos, que chegam até ele de todas as maneiras. “Às vezes as pessoas vêm vender aqui na loja e outras vezes entram em contato pela internet e a gente vai na casa do cliente avaliar o aparelho. Uma vez fui visitar um que tinha um toca-discos guardado no armário há 20 anos e a mulher dele conseguiu convencê-lo a se desfazer”, lembra Vanderlei, que comanda a loja há 18 anos e há sete abriu uma filial não muito longe dali.
Há seis meses exposta no piso superior da loja, a radiola de 1960, de madeira maciça e qualidade sonora surpreendente, ganhou, na semana passada, uma etiqueta de vendida e está aguardando seu novo dono retirá-la. “Apesar de ela ser cara (custava R$5.800) o comprador não é uma pessoa rica, é gente humilde que compra porque realmente gosta”, ressalta Vanderlei, garantindo ser um ótimo investimento.
“Hoje dia tem também esses toca-discos novos para vender por aí, mas acho que as pessoas ainda compram esses antigos porque gostam do barulhinho que eles fazem. A maior parte dos clientes é um pessoal que curtiu o vinil no passado e quer reviver isso”.
Uma coisa leva à outra
Além dos próprios toca-discos, a loja de Vanderlei dispõe também de uma vasta coleção de discos, para quem quiser sair de lá já com material para alimentar seu aparelho. E a lógica é legítima: quanto mais toca-discos saem, mais bolachões são vendidos. E vice-versa.
De acordo com o comerciante, a saída dos discos hoje é surpreendente e chega a até 250 unidades por mês. “Tem gente que vem e fica meia hora olhando, escolhendo. Vem muito cliente de fora também. O que mais sai é rock e MPB, mas principalmente rock”, ressalta. Apesar da alta procura, Vanderlei afirma que, em contrapartida, ainda tem muita gente querendo se desfazer de suas coleções e dos próprios aparelhos, o que garante o reabastecimento constante das prateleiras.
A uma quadra dali, em um dos sebos da cidade mais frequentados por colecionadores de discos, o Elemental, a questão do gênero musical é corroborada pelo funcionário Adriano da Rosa: os roqueiros realmente são quem mais se interessam pelo vinil hoje. “Vem gente de todas as idades comprar, mas os mais jovens geralmente olham mais do que levam”, afirma. Um dos motivos para isso é o preço salgado de alguns títulos, como o “Help” dos Beatles, original da época, que sai por R$150. Apesar de ter elegido seu disco favorito no acervo da loja, o “Arise”, do Sepultura, Adriano afirma que já se desfez de sua coleção e que por isso não compra mais os títulos da própria loja. “Mas eles às vezes levam”, diz, apontado para os colegas. O sebo costuma vender pelo menos 70 LPs por mês.
Novinho em folha
De olho especialmente no público jovem que está descobrindo agora o prazer de ouvir suas bandas favoritas no vinil, marcas como Teac, Crosley e a brasileira Ribeiro Pavani estão investindo forte em toca-discos modernos, mas com carinha retrô. Além das vendas pela internet, algumas grandes redes de lojas de eletrodomésticos e até de supermercados já comercializam as marcas em seus espaços físicos.
Há quatro anos representando a japonesa TEAC, especializada em aparelhos e áudio e gravação, a distribuidora Link do Brasil percebeu um aumento significativo nas vendas de toca-discos a partir de 2012. “Inicialmente o público predominante era de uma faixa etária entre 50 e 65 anos, pessoas que mantiveram as suas coleções de discos durante anos e agora viram a oportunidade de voltar a ouvi-los. Hoje, com o aumento da produção de discos e os preços que lentamente estão caindo, isso mudou e o jovens entre 25 e 35 anos estão entre o principal público”, explica Sami Douek, responsável pelo setor de desenvolvimento de produtos da Link do Brasil. A TEAC atualmente trabalha com três modelos de toca-discos, que variam de R$ 1.800 a R$ 2.400. O mais moderno deles – e também o mais caro –, lançado em dezembro de 2013, vem com duas caixas acústicas destacáveis, além da tecnologia Bluetooth, que permite a transferência de arquivos de áudio diretamente do computador ou do celular. “Esse produto é o que eu chamo de ‘menina dos olhos’, tem um incomparável custo benefício”, garante Sami. De acordo com ele, o crescimento na venda de toca-discos tem registrado anualmente um aumento de aproximadamente 30%.Entre as principais lojas que trabalham com os produtos da TEAC estão a Fnac, as lojas Colombo, Submarino, Magazine Luiza e Fast Shop, embora apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro eles sejam encontrados nos espaço físicos.
Manutenção e recuperação
Mesmo com a opção de comprar um toca-discos moderno e com cheirinho de novo, parte dos novos e velhos adeptos do LP ainda dá preferência aos modelos antigos, e razões para isso não faltam. Há 25 anos instalada na Lagoa da Conceição, a eletrônica Tecnotronic, comandada por Valter Bevilacqua e o filho Yuri, viu a demanda por recuperação e manutenção de toca-discos aumentar consideravelmente de um ano para cá. “Hoje a gente recebe em torno de dez aparelhos por mês, da vitrolinha aos mais modernos, sendo que uma recuperação pode levar até três meses”, conta Yuri, responsável por dar vida nova a todos os que chegam na eletrônica. Ele conta que aparece todo o tipo de gente na porta do estabelecimento com todos os tipos de aparelhos em mãos, embora os mais jovens ainda optem pelos mais simples e baratos.
Amante do vinil desde criança e não satisfeito apenas com sua coleção que já ultrapassa 400 títulos – e que fica longe da eletrônica, onde só um do Balão Mágico e outro do Iron Maiden circulam para testes –, Yuri também coleciona toca-discos. O rapaz já acumula em casa 25 deles desde começou a trabalhar com o pai, na década de 1990, quando passou ter verdadeira adoração por eles.
Para refazer toda a estrutura dos aparelhos que recebe, desde a restauração da madeira até a parte elétrica, Yuri afirma que é sempre complicado conseguir as peças necessárias. “Tudo é difícil aqui no Brasil, tenho que comprar dos Estados Unidos e é tudo muito caro, o imposto é enorme”, desabafa. Por causa disso, uma restauração completa custa em torno de R$350. Mesmo assim, no alto de sua experiência como técnico e colecionador, ele garante que vale muito mais a pena recuperar um toca-discos antigo do que comprar um novo. “Esses que fabricam agora não são bons, são todos feitos de plástico e na China”, dispara.
Publicada no jornal Notícias do Dia.
Mais do que a vontade de trazer o velho ritual de volta e a disposição de vasculhar, quem precisa estar preparado antes de tudo é o bolso do colecionador mais saudosista. É entre R$150 e R$5.800 que ele deve deixar na loja de artigos usados se quiser adquirir um toca-discos, uma vitrola ou mesmo radiola, nem sempre funcionando muito bem.
O vasto acervo eletrônico da loja Mania Móveis Usados, no Centro de Florianópolis, conta hoje com aparelhos da década de 1940, como a radiola em perfeito funcionamento que sai pela bagatela de R$4.800, até os toca-discos mais “modernos”, da década de 1980, que ainda precisam passar por revisão e podem ser levados para casa por R$150. Embora a loja comercialize alguns aparelhos que não passaram pelas mãos de um especialista em recuperação, a maior parte dos que são colocados à venda receberam todos os ajustes necessários e dão um banho em muito produto novinho em folha.
De acordo com Vanderlei Cordeiro, proprietário da loja, o que define o valor de cada aparelho não é exatamente a idade dele, mas justamente seu estado de conservação e funcionamento. Normalmente ele põe um lucro de 100% em cima de cada um dos produtos, que chegam até ele de todas as maneiras. “Às vezes as pessoas vêm vender aqui na loja e outras vezes entram em contato pela internet e a gente vai na casa do cliente avaliar o aparelho. Uma vez fui visitar um que tinha um toca-discos guardado no armário há 20 anos e a mulher dele conseguiu convencê-lo a se desfazer”, lembra Vanderlei, que comanda a loja há 18 anos e há sete abriu uma filial não muito longe dali.
Há seis meses exposta no piso superior da loja, a radiola de 1960, de madeira maciça e qualidade sonora surpreendente, ganhou, na semana passada, uma etiqueta de vendida e está aguardando seu novo dono retirá-la. “Apesar de ela ser cara (custava R$5.800) o comprador não é uma pessoa rica, é gente humilde que compra porque realmente gosta”, ressalta Vanderlei, garantindo ser um ótimo investimento.
“Hoje dia tem também esses toca-discos novos para vender por aí, mas acho que as pessoas ainda compram esses antigos porque gostam do barulhinho que eles fazem. A maior parte dos clientes é um pessoal que curtiu o vinil no passado e quer reviver isso”.
Uma coisa leva à outra
Além dos próprios toca-discos, a loja de Vanderlei dispõe também de uma vasta coleção de discos, para quem quiser sair de lá já com material para alimentar seu aparelho. E a lógica é legítima: quanto mais toca-discos saem, mais bolachões são vendidos. E vice-versa.
De acordo com o comerciante, a saída dos discos hoje é surpreendente e chega a até 250 unidades por mês. “Tem gente que vem e fica meia hora olhando, escolhendo. Vem muito cliente de fora também. O que mais sai é rock e MPB, mas principalmente rock”, ressalta. Apesar da alta procura, Vanderlei afirma que, em contrapartida, ainda tem muita gente querendo se desfazer de suas coleções e dos próprios aparelhos, o que garante o reabastecimento constante das prateleiras.
A uma quadra dali, em um dos sebos da cidade mais frequentados por colecionadores de discos, o Elemental, a questão do gênero musical é corroborada pelo funcionário Adriano da Rosa: os roqueiros realmente são quem mais se interessam pelo vinil hoje. “Vem gente de todas as idades comprar, mas os mais jovens geralmente olham mais do que levam”, afirma. Um dos motivos para isso é o preço salgado de alguns títulos, como o “Help” dos Beatles, original da época, que sai por R$150. Apesar de ter elegido seu disco favorito no acervo da loja, o “Arise”, do Sepultura, Adriano afirma que já se desfez de sua coleção e que por isso não compra mais os títulos da própria loja. “Mas eles às vezes levam”, diz, apontado para os colegas. O sebo costuma vender pelo menos 70 LPs por mês.
Novinho em folha
De olho especialmente no público jovem que está descobrindo agora o prazer de ouvir suas bandas favoritas no vinil, marcas como Teac, Crosley e a brasileira Ribeiro Pavani estão investindo forte em toca-discos modernos, mas com carinha retrô. Além das vendas pela internet, algumas grandes redes de lojas de eletrodomésticos e até de supermercados já comercializam as marcas em seus espaços físicos.
Há quatro anos representando a japonesa TEAC, especializada em aparelhos e áudio e gravação, a distribuidora Link do Brasil percebeu um aumento significativo nas vendas de toca-discos a partir de 2012. “Inicialmente o público predominante era de uma faixa etária entre 50 e 65 anos, pessoas que mantiveram as suas coleções de discos durante anos e agora viram a oportunidade de voltar a ouvi-los. Hoje, com o aumento da produção de discos e os preços que lentamente estão caindo, isso mudou e o jovens entre 25 e 35 anos estão entre o principal público”, explica Sami Douek, responsável pelo setor de desenvolvimento de produtos da Link do Brasil. A TEAC atualmente trabalha com três modelos de toca-discos, que variam de R$ 1.800 a R$ 2.400. O mais moderno deles – e também o mais caro –, lançado em dezembro de 2013, vem com duas caixas acústicas destacáveis, além da tecnologia Bluetooth, que permite a transferência de arquivos de áudio diretamente do computador ou do celular. “Esse produto é o que eu chamo de ‘menina dos olhos’, tem um incomparável custo benefício”, garante Sami. De acordo com ele, o crescimento na venda de toca-discos tem registrado anualmente um aumento de aproximadamente 30%.Entre as principais lojas que trabalham com os produtos da TEAC estão a Fnac, as lojas Colombo, Submarino, Magazine Luiza e Fast Shop, embora apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro eles sejam encontrados nos espaço físicos.
Manutenção e recuperação
Mesmo com a opção de comprar um toca-discos moderno e com cheirinho de novo, parte dos novos e velhos adeptos do LP ainda dá preferência aos modelos antigos, e razões para isso não faltam. Há 25 anos instalada na Lagoa da Conceição, a eletrônica Tecnotronic, comandada por Valter Bevilacqua e o filho Yuri, viu a demanda por recuperação e manutenção de toca-discos aumentar consideravelmente de um ano para cá. “Hoje a gente recebe em torno de dez aparelhos por mês, da vitrolinha aos mais modernos, sendo que uma recuperação pode levar até três meses”, conta Yuri, responsável por dar vida nova a todos os que chegam na eletrônica. Ele conta que aparece todo o tipo de gente na porta do estabelecimento com todos os tipos de aparelhos em mãos, embora os mais jovens ainda optem pelos mais simples e baratos.
Amante do vinil desde criança e não satisfeito apenas com sua coleção que já ultrapassa 400 títulos – e que fica longe da eletrônica, onde só um do Balão Mágico e outro do Iron Maiden circulam para testes –, Yuri também coleciona toca-discos. O rapaz já acumula em casa 25 deles desde começou a trabalhar com o pai, na década de 1990, quando passou ter verdadeira adoração por eles.
Para refazer toda a estrutura dos aparelhos que recebe, desde a restauração da madeira até a parte elétrica, Yuri afirma que é sempre complicado conseguir as peças necessárias. “Tudo é difícil aqui no Brasil, tenho que comprar dos Estados Unidos e é tudo muito caro, o imposto é enorme”, desabafa. Por causa disso, uma restauração completa custa em torno de R$350. Mesmo assim, no alto de sua experiência como técnico e colecionador, ele garante que vale muito mais a pena recuperar um toca-discos antigo do que comprar um novo. “Esses que fabricam agora não são bons, são todos feitos de plástico e na China”, dispara.
Publicada no jornal Notícias do Dia.
sábado, março 01, 2014
Em cima do palco, com instrumentos em mãos, as mulheres conquistam seu espaço
Embora já não seja mais tão incomum, uma mulher em
cima do palco empunhando um baixo ou uma guitarra, dominando um piano
ou despejando sua fúria em uma bateria, ainda impressiona olhos menos
habituados. Elas começaram quando crianças por incentivo da família, ou
adolescentes para simplesmente fazer o contrário do que os pais
desejavam, e hoje, já adultas, conseguiram conquistar seu espaço no cada
vez mais feminino mundo da música.
Acostumada a lidar com um contrabaixo acústico maior do que ela própria, aos 23 anos a tecnóloga em edificações e estudante de arquitetura Aline Pires tenta desde dezembro se habituar ao novo ritmo de fazer parte de uma banda de folk rock. Isso porque desde os nove anos, por estímulo da família, teve formação musical clássica, primeiro no piano, no colégio Coração de Jesus, e depois no próprio contrabaixo. “Quando eu tocava em orquestras estava sempre acompanhada da partitura. Agora, na banda, tenho que decorar tudo, ainda estou me acostumando”, conta. Para poder praticar melhor em casa, já que não possui seu próprio instrumento clássico, Aline comprou um baixo elétrico, mais acessível e também mais prático para levar aos shows da nova banda, a Balcony. “Mas ainda pretendo comprar um acústico e usar nos shows”, projeta.
Única garota em meio a quatro rapazes, o jeito delicado de Aline deixa transparecer de longe outro papel fundamental que possui no grupo. “Eles dizem que precisam de uma mulher para tudo ficar mais organizado”, diverte-se, garantindo que nunca passou por nenhum tipo de preconceito. A suavidade da baixista, no entanto, não quer dizer absolutamente nada em relação à atitude das mulheres instrumentistas de uma forma geral.
Nada de delicadeza
Com um piercing no lábio, tatuagens espalhadas pelo corpo e o cabelão loiro, a simples presença da guitarrista Débora Valençay, de 26 anos, já chama atenção onde quer que ela esteja. Ao descer de sua imponente motocicleta com a guitarra pendurada nas costas, deixa a impressão de durona transparecer com ainda mais nitidez. Há apenas três anos empunhando o instrumento, Débora já experimentou o que muito veterano ainda tem como sonho distante: ela conta com mais de uma dezena de patrocínios de diversas marcas de equipamentos musicais, entre elas Tagima, Basso, ASK, Fuhrmann, SG e Bruschi Amps. “Não é tão comum alguém conseguir tantos patrocínios, normalmente só quem é muito famoso. Mas as marcas vêem um potencial no músico, e como eu evoluí bastante em um curto período, é uma aposta que elas fizeram”, explica.
A guitarra ainda é relativamente nova na vida de Débora porque antes disso era a bateria que fazia sua cabeça, desde 2007. Durante alguns anos ela era a responsável pelas baquetas em uma banda de blues, mas a mudança constante de integrantes deixou a rotina cansativa e ela foi em busca de outro grupo para tocar. “Encontrei na internet uma banda de meninas que estava precisando de guitarrista. Eu nunca tinha tocado, comprei uma guitarra de R$200 e fui. Em seis meses eu já estava com o patrocínio da Tagima”, conta. As até então desconhecidas colegas da banda de rock clássico Pink Revolver são hoje suas melhores amigas. “Ninguém vive mais sem a outra”, garante.
Tanto na bateria quanto na guitarra, Débora deu sozinha os primeiros passos, mas até hoje estuda para se aperfeiçoar cada vez mais. Única de sua família a entrar no mundo da música, ela admite que no começo foi difícil para os pais aceitarem um futuro tão incerto para a filha. “É complicado, eu também ficaria com medo do futuro se eu não fosse ligada à música e um filho quisesse seguir esse caminho”. Hoje, Débora consegue se sustentar apenas de seu som, com shows e participações em gravações de vários artistas. Quanto ao preconceito por ser mulher, ela admite que com a Pink Revolver ainda enfrenta certa barreira em Florianópolis, mas no interior e em outros Estados, a abordagem é mais fácil. “No meio musical ainda tem gente achando que mulher não dá conta”, dispara.
Baquetas em fúria
Assim como impressionou a guitarrista Débora Valençay em um primeiro momento, a bateria também foi a escolha de Mariel Maciel e Moniky Hoffmann. Hoje com 29 anos e recém-formada em teatro, Mariel costumava frequentar com os pais, na década de 1980, um bar da Capital com música ao vivo onde viu pela primeira vez uma bateria e ficou encantada com a performance do músico que segurava as baquetas. A imagem permaneceu em sua cabeça por anos, até que aos 14 começou a fazer aulas e aos 145, pediu de presente para a mãe uma bateria. “Assim que ganhei ela uns amigos me convidaram para tocar em uma banda, minha primeira banda. Éramos todos meio ruins”, lembra. Iniciada no rock’n’roll, mais tarde Mariel chegou a ser convidada para tocar em um grupo de pagode, e apesar de considerar a ideia um tanto absurda, pediu a opinião de seu professor, que acabou lhe convencendo a topar. “Ele disse que seria uma boa experiência, então marquei um ensaio com o grupo. Mas o ensaio acabou não acontecendo e nunca mais fui atrás”, conta. Desde 2009 ela faz parte da banda folk Somato, que passa por um hiato por tempo indeterminado, e toca também com o namorado e amigos em outras duas bandas de punk rock. “É mais para não ficar parada mesmo”.
Apesar de hoje colocar todas as suas energias no comando da bateria da banda de meninas Rock Roach, a curiosidade por aprender a tocar um instrumento levou Moniky, hoje com 23 anos, primeiro para o violão, e em seguida para a guitarra. Depois de quase sete anos dedicados às cordas, ela acabou chegando à conclusão de que talvez elas não fossem seu negócio. Foi quando decidiu, aos 18 anos, migrar para detrás do bumbo, da caixa e dos pratos e acabou se encontrando por ali mesmo. “Minha mãe dizia ‘por que não toca gaita? É mais silencioso’. Eu ensaiava na hora da novela e nem ela nem os vizinhos gostavam muito”, lembra. Quando encontrou as atuais companheiras de banda, elas ainda não tinham começado definitivamente os trabalhos porque faltava exatamente uma baterista. Suprida necessidade com a entrada de Moniky, o grupo fez seu primeiro ensaio no começo de 2009 e hoje leva seu punk rock nada mulherzinha para diversos bares da região. “Nunca tivemos muita dificuldade para tocar, mas as pessoas se impressionam quando descobrem que eu toco bateria, principalmente porque sou pequena”.
Uma vida dedicada ao piano
Longe dos riffs roqueiros, a compositora Denise de Castro seguiu os passos do próprio pai quando aos 11 anos decidiu entrar nas aulas de piano do colégio Coração de Jesus, de onde não arredou pé até prestar vestibular para música na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Depois de formada, partiu para Portugal onde viveu por quatro anos fazendo shows e cursos de música. Hoje, aos 49, além de dar aulas de piano e canto, Denise reserva as noites para apresentar suas composições, além de clássicos da bossa nova, em bares e teatros de Florianópolis. Mesmo com a dedicação exclusiva ao piano, sua paixão pela música submerge por outros caminhos. “Também toco algo de percussão e gosto muito de sopro. Se eu pudesse, tocaria todos os instrumentos, gosto de tudo, mas é difícil se dedicar a muitos”, conclui. Ao longo da carreira como pianista, cantora e compositora, Denise já chegou a lançar dois discos, um em 1997 e outro em 2010, e recentemente ficou em terceiro lugar no primeiro concurso de marchinhas de São José.
Publicada no jornal Notícias do Dia.
Acostumada a lidar com um contrabaixo acústico maior do que ela própria, aos 23 anos a tecnóloga em edificações e estudante de arquitetura Aline Pires tenta desde dezembro se habituar ao novo ritmo de fazer parte de uma banda de folk rock. Isso porque desde os nove anos, por estímulo da família, teve formação musical clássica, primeiro no piano, no colégio Coração de Jesus, e depois no próprio contrabaixo. “Quando eu tocava em orquestras estava sempre acompanhada da partitura. Agora, na banda, tenho que decorar tudo, ainda estou me acostumando”, conta. Para poder praticar melhor em casa, já que não possui seu próprio instrumento clássico, Aline comprou um baixo elétrico, mais acessível e também mais prático para levar aos shows da nova banda, a Balcony. “Mas ainda pretendo comprar um acústico e usar nos shows”, projeta.
Única garota em meio a quatro rapazes, o jeito delicado de Aline deixa transparecer de longe outro papel fundamental que possui no grupo. “Eles dizem que precisam de uma mulher para tudo ficar mais organizado”, diverte-se, garantindo que nunca passou por nenhum tipo de preconceito. A suavidade da baixista, no entanto, não quer dizer absolutamente nada em relação à atitude das mulheres instrumentistas de uma forma geral.
Nada de delicadeza
Com um piercing no lábio, tatuagens espalhadas pelo corpo e o cabelão loiro, a simples presença da guitarrista Débora Valençay, de 26 anos, já chama atenção onde quer que ela esteja. Ao descer de sua imponente motocicleta com a guitarra pendurada nas costas, deixa a impressão de durona transparecer com ainda mais nitidez. Há apenas três anos empunhando o instrumento, Débora já experimentou o que muito veterano ainda tem como sonho distante: ela conta com mais de uma dezena de patrocínios de diversas marcas de equipamentos musicais, entre elas Tagima, Basso, ASK, Fuhrmann, SG e Bruschi Amps. “Não é tão comum alguém conseguir tantos patrocínios, normalmente só quem é muito famoso. Mas as marcas vêem um potencial no músico, e como eu evoluí bastante em um curto período, é uma aposta que elas fizeram”, explica.
A guitarra ainda é relativamente nova na vida de Débora porque antes disso era a bateria que fazia sua cabeça, desde 2007. Durante alguns anos ela era a responsável pelas baquetas em uma banda de blues, mas a mudança constante de integrantes deixou a rotina cansativa e ela foi em busca de outro grupo para tocar. “Encontrei na internet uma banda de meninas que estava precisando de guitarrista. Eu nunca tinha tocado, comprei uma guitarra de R$200 e fui. Em seis meses eu já estava com o patrocínio da Tagima”, conta. As até então desconhecidas colegas da banda de rock clássico Pink Revolver são hoje suas melhores amigas. “Ninguém vive mais sem a outra”, garante.
Tanto na bateria quanto na guitarra, Débora deu sozinha os primeiros passos, mas até hoje estuda para se aperfeiçoar cada vez mais. Única de sua família a entrar no mundo da música, ela admite que no começo foi difícil para os pais aceitarem um futuro tão incerto para a filha. “É complicado, eu também ficaria com medo do futuro se eu não fosse ligada à música e um filho quisesse seguir esse caminho”. Hoje, Débora consegue se sustentar apenas de seu som, com shows e participações em gravações de vários artistas. Quanto ao preconceito por ser mulher, ela admite que com a Pink Revolver ainda enfrenta certa barreira em Florianópolis, mas no interior e em outros Estados, a abordagem é mais fácil. “No meio musical ainda tem gente achando que mulher não dá conta”, dispara.
Baquetas em fúria
Assim como impressionou a guitarrista Débora Valençay em um primeiro momento, a bateria também foi a escolha de Mariel Maciel e Moniky Hoffmann. Hoje com 29 anos e recém-formada em teatro, Mariel costumava frequentar com os pais, na década de 1980, um bar da Capital com música ao vivo onde viu pela primeira vez uma bateria e ficou encantada com a performance do músico que segurava as baquetas. A imagem permaneceu em sua cabeça por anos, até que aos 14 começou a fazer aulas e aos 145, pediu de presente para a mãe uma bateria. “Assim que ganhei ela uns amigos me convidaram para tocar em uma banda, minha primeira banda. Éramos todos meio ruins”, lembra. Iniciada no rock’n’roll, mais tarde Mariel chegou a ser convidada para tocar em um grupo de pagode, e apesar de considerar a ideia um tanto absurda, pediu a opinião de seu professor, que acabou lhe convencendo a topar. “Ele disse que seria uma boa experiência, então marquei um ensaio com o grupo. Mas o ensaio acabou não acontecendo e nunca mais fui atrás”, conta. Desde 2009 ela faz parte da banda folk Somato, que passa por um hiato por tempo indeterminado, e toca também com o namorado e amigos em outras duas bandas de punk rock. “É mais para não ficar parada mesmo”.
Apesar de hoje colocar todas as suas energias no comando da bateria da banda de meninas Rock Roach, a curiosidade por aprender a tocar um instrumento levou Moniky, hoje com 23 anos, primeiro para o violão, e em seguida para a guitarra. Depois de quase sete anos dedicados às cordas, ela acabou chegando à conclusão de que talvez elas não fossem seu negócio. Foi quando decidiu, aos 18 anos, migrar para detrás do bumbo, da caixa e dos pratos e acabou se encontrando por ali mesmo. “Minha mãe dizia ‘por que não toca gaita? É mais silencioso’. Eu ensaiava na hora da novela e nem ela nem os vizinhos gostavam muito”, lembra. Quando encontrou as atuais companheiras de banda, elas ainda não tinham começado definitivamente os trabalhos porque faltava exatamente uma baterista. Suprida necessidade com a entrada de Moniky, o grupo fez seu primeiro ensaio no começo de 2009 e hoje leva seu punk rock nada mulherzinha para diversos bares da região. “Nunca tivemos muita dificuldade para tocar, mas as pessoas se impressionam quando descobrem que eu toco bateria, principalmente porque sou pequena”.
Uma vida dedicada ao piano
Longe dos riffs roqueiros, a compositora Denise de Castro seguiu os passos do próprio pai quando aos 11 anos decidiu entrar nas aulas de piano do colégio Coração de Jesus, de onde não arredou pé até prestar vestibular para música na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Depois de formada, partiu para Portugal onde viveu por quatro anos fazendo shows e cursos de música. Hoje, aos 49, além de dar aulas de piano e canto, Denise reserva as noites para apresentar suas composições, além de clássicos da bossa nova, em bares e teatros de Florianópolis. Mesmo com a dedicação exclusiva ao piano, sua paixão pela música submerge por outros caminhos. “Também toco algo de percussão e gosto muito de sopro. Se eu pudesse, tocaria todos os instrumentos, gosto de tudo, mas é difícil se dedicar a muitos”, conclui. Ao longo da carreira como pianista, cantora e compositora, Denise já chegou a lançar dois discos, um em 1997 e outro em 2010, e recentemente ficou em terceiro lugar no primeiro concurso de marchinhas de São José.
Publicada no jornal Notícias do Dia.