terça-feira, julho 03, 2012

Egresso de Design Industrial cria máquinas fantásticas

Quando Bruno Oro, egresso do curso de Design Industrial da Univali, era criança, gostava de desmontar seus carrinhos de controle remoto para ver como funcionavam. Hoje, ele é um premiado designer reconhecido mundialmente

Cansado de receber o mesmo insistente spam em sua caixa de e-mails, o egresso de Design Industrial da Univali, Bruno Oro, resolveu responder quanto chegou a oitava mensagem. Para sua surpresa, todos os e-mails daquele estranho remetente de procedência indiana não eram spam coisíssima nenhuma. Tratava-se de um representante da Raffles Millennium International, escola de design de Nova Deli, capital da Índia, convidando Bruno para ser professor.
Quando criança, ainda em Curitiba, cidade onde cresceu, Bruno gostava de montar e desmontar seus carrinhos de controle remoto para entender como eles funcionavam. Aos 12 anos, começou a fazer pequenos trabalhos na área de web design. Com 16, já estava ganhando um bom dinheiro trabalhando de freelancer em web design e design gráfico.
Em 2003, quando se mudou para Itapema com a família, já não restavam mais muitas dúvidas quanto ao que queria fazer da vida: foi estudar Design Industrial na Univali, da vizinha Balneário Camboriú. Para se sentir um profissional completo, ele, que já entendia de design gráfico, web design, design de produto e também de interiores, resolveu emendar à faculdade uma pós-graduação em Criação e Gestão de Moda.
Bruno sempre teve um ritmo de trabalho diferente do convencional. Certa vez, quando ainda estava na faculdade e fazia estágio, bateu na porta do home office de sua chefe às 6h30, argumentando que havia passado a noite em claro criando e não queria parar naquele momento. Com plena consciência de que não poderia ser funcionário de uma empresa tendo esses horários esquisitos, depois de formado, decidiu abrir sua própria empresa em Curitiba.
A Design O’clock surgiu com objetivo de oferecer aos clientes um pacote de design completo: gráfico, de interiores e de produto. A sociedade era divida com um amigo que vivia em Boston, nos EUA, o que fez com que firmassem parceria com estúdios de lá e atuassem tanto em Curitiba quanto na cidade americana.
Um dos grandes destaques entre os produtos que Bruno desenvolveu está o Dilus, uma espécie de eletrônico em forma de bicho de pelúcia destinado a crianças que passam por tratamento quimioterápico. Após uma longa pesquisa, Bruno percebeu que as crianças hospitalizadas perdiam muito em relação à continuidade de seus estudos e de socialização com amigos. Dessa forma, desenvolveu o aparelho, semelhante a um laptop, no qual se pode assistir vídeos, fazer vídeo conferências, entre outras funções, através de um display holográfico em 3D com projeção no ar.
A criação obteve repercussão mundial, e rendeu a Bruno o seu primeiro prêmio no International Design Awards (ele já recebeu três), além de publicações em diversas revistas, jornais e programas de televisão. Recentemente, um dos seus produtos, a "Banqueta Piet", ganhou destaque no livro Icon Product Yearbook 2012, vendido na Semana de Design de Londres, na 100% Design e Tent London (ambas, feiras reconhecidas do Reino Unido).  Segundo a crítica, a banqueta, que tem proposta sustentável, serve como banco, cadeira, mesa ou apoio de mão, e ainda é considerada artigo de decoração.
Entre os projetos de maior repercussão, está também um produto um tanto inusitado, quase inacreditável. Trata-se de uma máquina que permite a cópia e reprodução de alimentos com perfeição, sem precisar comprar os ingredientes e seguir uma receita.
Partindo do princípio de que tudo é feito de moléculas, e que elas estão presentes no ar, Bruno teve uma ideia: “Por que não usar algo que já é natural e está ao nosso redor para propor algo que escaneasse a composição de outras moléculas e reproduzisse uma copia fiel daquilo?”. Assim surgiu seu produto, chamado Home Sweet Home.
“Isso também vinha do fato de que eu moro sozinho há um bom tempo e cozinho supermal. Ou seja, seria uma maravilha apenas materializar certas comidas que gosto de vez em quando”, admite o designer.
O Home Sweet Home é um projeto feito parceria com designers da Electrolux, de um departamento que têm foco no desenvolvimento de conceitos para futuro. “Até esse momento já temos a composição da lasanha, sabemos como ela é formada. A partir desses dados, continuamos na mesma proposta de impressoras de prototipagem rápida, onde produtos 3D são impressos em poucos minutos, porém o foco aqui seria ‘imprimir uma lasanha'", conta Bruno sobre o experimento revolucionário.
Bruno reforça que esse é um produto conceito, cujo objetivo é quebrar os paradigmas sobre a forma de cozinhar e ter uma visão de futuro, que pode ou não acontecer. A ideia, que deu ao designer o terceiro International Design Awards, ganhou inclusive as páginas do jornal americano “The Sun”, impresso e distribuído na Região do Vale do Silício, a “Meca” da tecnologia.
Tanto reconhecimento em todas as partes do mundo fez com que, em 2010, Bruno recebesse aqueles e-mails estranhos que pensou não passarem de meros spams. Após acertada a ida e a contratação, partiu de mala e cuia em direção à Índia para atuar na Raffles Millennium International, onde hoje, além de professor, é também diretor do departamento de Design de Produto.
No novo país, Bruno teve que se habituar ao idioma hindi, à apimentada gastronomia e ao fato de as pessoas terem o costume de comer com as mãos. Sua empresa acabou ficando de lado, tanto pela falta de tempo para se dedicar a ela, quanto pela vontade de se entregar totalmente ao novo desafio de sua vida. “Queria gastar um tempo comigo e com minhas ideias. Resolvi que esse seria um período pessoal meu, em que eu me dedicaria aos meus projetos e continuaria dando minhas aulas por aqui”.


Por Juliete Lunkes

segunda-feira, junho 04, 2012

Egressa de Design de Moda lança coleção em Milão

Daniela Colzani formou-se na Univali em 2006 e há dois tem seu próprio ateliê na capital mundial da moda. Hoje a estilista é um dos principais nomes no segmento de corsets e em maio apresentou sua nova coleção em uma badalada casa noturna de Milão 

A estilista e egressa do curso de Design de Moda da Univali Daniela Colzani lançou em Milão, no dia 7 de maio, sua coleção outono/inverno 2013. Com um agitado desfile no Old Fashion Café, uma das mais badaladas casas noturnas da cidade, ela apresentou sua coleção inspirada no barroco moderno com mais de 20 looks diferentes.
Entre as modelos que participaram do desfile estava a musa da escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, Ana Paula Evangelista. “Foi um evento muito positivo, que abriu espaço para divulgar minha nova coleção a um público-alvo. A Ana Paula Evangelista é linda e arrasou na passarela. Já fechamos um acordo para ela produzir o catálogo da nova coleção da marca”, revela Daniela.
O desfile começou com peças de lingerie de luxo e terminou com vestidos de alta costura, trazendo uma releitura do estilo que predominou na Europa entre os séculos 16 e 18. “Todas as peças foram produzidas com atenção aos mínimos detalhes, com rendas francesas, brocados, bordados indianos, penas e aplicações de pedrarias em cristal, vidro, especialmente pedras preciosas da swarovski”, explica a estilista.
Formada na Univali em 2006, Daniela vive em Milão desde 2008, e há dois anos conta com seu próprio ateliê na capital mundial da moda. A egressa ficou conhecida no mundo da moda em 2010, quando venceu o concurso europeu de lingerie e corseteria The link/ Mare di Moda 2010, o mais importante do segmento na França. Desde então, a estilista se tornou uma das profissionais mais requisitadas da Itália no segmento de Corseteria, produzindo corsets feitos sob medida com preços que variam de R$ 400,00 a R$ 3.500,00.

Por Juliete Lunkes

sábado, junho 02, 2012

Vida de freelancer: fazendo seus próprios horários de trabalho

Trabalhar como freelancer pode ser uma boa alternativa para conciliar trabalho com estudo ou para quem gosta de liberdade para trabalhar. Confira algumas dicas, vantagens e a desvantagens apontadas por duas egressas que trabalham como freelancers

Fazer o seu próprio horário, trabalhar no aconchego do lar e ser dono do seu próprio negócio são algumas das razões que fazem profissionais de diversas áreas optarem por atuar como freelancers. Seja pela dificuldade em encontrar um trabalho fixo com um bom salário, por preferir ter certa liberdade no trabalho ou simplesmente pela necessidade de conciliar trabalho com estudo, o “frila” pode ser uma ótima alternativa.
É o caso da egressa do curso de Jornalismo da Univali, Ivana Ebel, que trabalha como freelancer desde 2008, quando foi morar em Bona, na Alemanha, para cursar mestrado. “Como não daria para conciliar um trabalho fixo com as aulas, acabei optando por trabalhar como freelancer”, conta a jornalista. Para ela, que estuda durante a semana e em horário comercial, se tornar freelancer é o que a ajuda a se manter no país. Seu primeiro trabalho foi para um guia de viagens da Editora Abril, com quem ela mesma fez o contato. Desde então, Ivana já fez diversos trabalhos, não apenas voltados para o jornalismo, mas em tudo que englobe comunicação.
Embora o trabalho autônomo na Alemanha seja a melhor opção para manter-se por lá, quando Ivana morava no Brasil, tinha um emprego fixo, e se não tivesse ido embora do país, admite que não entraria na vida de freelancer. Ela diz que por aqui a profissão não é muito valorizada. “Ninguém respeita a tabela de preços, se você pede o preço da tabela, fica sem o trabalho”, explica. Atualmente, Ivana deu uma pausa nos trabalhos de frila para entrar em um estágio na rede de televisão Deutsche Welle, e como irá emendar o doutorado, não sabe se volta a fazer frilas.
Ex-aluna do curso de Publicidade e Propaganda da Univali, Nataly Sudbrack, trabalha em seu “home office” há cerca de quatro anos. Em 2005, quando começou a vida profissional, teve alguns empregos fixos como auxiliar de impressão, produtora gráfica, e arte-finalista, sempre envolvida na parte de criação gráfica. E apesar de hoje preferir trabalhar em casa, por conta própria, foram esses empregos que acabaram rendendo contatos para que mais tarde começasse a trabalhar somente como freelancer.
Hoje, Nataly se orgulha do que conquistou nesses anos e por enquanto nem pensa em tentar um emprego fixo. “Consegui consolidar meu nome no mercado, tenho clientes maravilhosos, já fiz jobs para empresas grandes, sou procurada por clientes novos toda semana”, conta. Entre as inúmeras vantagens do trabalho autônomo, Nataly, que mora sozinha, aponta ainda o fato de poder viajar para visitar a família sempre que quer, já que as férias é ela mesma que se dá.
Mas apesar de todas as vantagens, ela também concorda que a vida de frila não é essa maravilha toda. “Você nunca sabe quanto vai ganhar por mês, então é preciso se esforçar muito. Outra coisa negativa é que por ser pessoa física, não tem emissão de nota fiscal, então até conquistar a confiança de uma empresa grande, demora”, explica Nataly.

Frilas dão dicas

Para quem pensa em trabalhar como freelancer ou entrou há pouco tempo na vida de autônomo, confira algumas dicas de Ivana e Nataly:

- Negocie com detalhes com o contratante para saber exatamente o que esperar. “Quando o trabalho é fixo você sabe o que esperar da pessoa, mas em frila não, então é importante negociar com clareza”, aconselha Ivana.

- Se esforce, tenha um bom ânimo e se policie. “É preciso se policiar, afinal, compromisso é compromisso. E é preciso respeitar o tempo do cliente também”, diz Nataly.

- Freelancer é trabalho e como todo trabalho, deve ser remunerado. “Se não for de seu interesse, não trabalhe de graça em troca de somente ter seu nome publicado no jornal”, aponta Ivana.

- Para Nataly, trabalhar no interior pode ser muito mais lucrativo. “Nosso mercado está saturado e cada semestre se formam mais e mais publicitários e designers que ficam por aqui por conta da vida bonita, festas, praias e cidade pequena. As cidades do interior vão te dar um futuro muito mais promissor do que o litoral.”

Por Juliete Lunkes

sexta-feira, maio 04, 2012

Especialista em RH analisa exposição nas redes sociais

Dê uma olhada nos seus posts no Twitter ou no Facebook. Se você trabalhasse no setor de recursos humanos de uma empresa, você contrataria alguém com o seu perfil? Veja como os recrutadores estão usando as redes sociais para selecionar candidatos. 
No Brasil, vasculhar as redes sociais dos candidatos não é uma prática ainda tão corriqueira, mas, nos Estados Unidos ela já é comum. Um estudo feito pela empresa americana Bull Horn Reach, mostra que por lá o LinkedIn, site focado em networking e currículo online, é uma das principais fontes de busca por profissionais. Segundo a pesquisa, 48% dos recrutadores que usam a internet para realizar seu trabalho utilizam o LinkedIn, enquanto apenas 1% faz a busca pelo Facebook e 1% no Twitter. Já a adesão das três redes juntas é utilizada por 21% deles. 
A professora Maria Clara de Jonas Bastos, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho e mestre em Psicologia Social e da Personalidade, explica que a rede social não deve ser utilizada para aprovar ou reprovar, e sim para ajudar na escolha dos candidatos.
 De acordo com a especialista, não é para todo o tipo de vaga que isso efetivamente funciona. “O recrutador normalmente não procura candidatos de nível operacional nas redes sociais, ele não vai ter esse perfil na internet. Depende do ramo da empresa e da complexidade do cargo”, explica. A análise de comportamento, segundo ela, ocorre para cargos que vãoi representar a empresa, quando muitas vezes sua imagem é associada a ela.

E a privacidade? 

Nos Estados Unidos a tendência de pesquisar os nomes dos candidatos ultrapassou as barreiras da simples “varredura”. Segundo informações da agência de notícias Associated Press, que repercutiram em dezenas de publicações no mês de março, algumas empresas de Nova York chegaram a pedir o login e a senha de redes sociais dos candidatos para descobrir detalhes de sua vida em conteúdos restritos.
Para a professora Maria Clara, ir além do que o candidato está disposto a permitir não é a conduta que se espera de uma empresa idônea. “Um profissional de recursos humanos capacitado, que conhece outros instrumentos de seleção, não precisa fazer isso”, afirma.
Fabricio Bortoluzzi, professor dos cursos de Ciência da Computação e Tecnologia em Sistemas para a Internet da Univali, diz que sob nenhuma hipótese é sensato ceder a credencial de acesso aos seus perfis para outras pessoas. Ele acredita que redes específicas para contatos profissionais, como o LinkedIn, podem ser muito positivas na busca de emprego, porém, outras redes podem até fazer o efeito contrário, dependendo do seu uso.
“As redes sociais tradicionais, como o Facebook, podem jogar contra em alguns poucos casos, como quando o candidato demonstra hábitos incompatíveis com a cultura da empresa contratante”, salienta o professor.
As redes sociais são um poderoso raio-x de sua conduta. A especialista em RH, lembra que é importante as pessoas se preocupem desde cedo com aquilo que disponibilizam na internet, e não apenas quando forem profissionais em busca de colocação no mercado de trabalho. “Oconteúdo publicado pode ser resgatado depois. Na rede social, o que você lançou está lançado, você não pode se arrepender, está aí para o mundo”.

Fique atento

Maria Clara dá algumas dicas que podem ajudar você a repensar suas atitudes no mundo virtual:
- Atualizações frequentes no Twitter contando que você bebeu na festa de ontem e nem lembra como voltou pra casa, não chega a ser caso de eliminação do processo de entrevista, mesmo porque há outras formas de seleção, mas é um bom motivo para uma maior investigação.
- O ramo de atividade da empresa que você gostaria de trabalhar, a cultura dela, seus valores e normas, devem ser levados em consideração e ir ao encontro com as aspirações, objetivos e valores que você possui. E isso pode se refletir no conteúdo de suas redes sociais.
- Antes de postar qualquer coisa, pare e pense. Não seja impulsivo. É importante saber avaliar o que publica e ter consciência do preço a se pagar.
- Adicionar no Facebook um profissional influente da empresa que você gostaria de trabalhar pode até ser válido se ele estiver aberto a se relacionar com outros profissionais. Cabe a ele aceitar ou não a solicitação de amizade enviada ao seu perfil. Lembre-se que suas postagens chegarão até ele e isso pode criar julgamentos.

Já é possível “limpar” o nome na rede

Desde 2006, a empresa americana reputation.com se empenha em melhorar o nome de seus clientes na internet. O site não elimina as informações negativas do usuário, mas avisa toda vez que seu nome é mencionado em alguma página e melhora o ranking que as informações a seu respeito são disponibilizadas na web.
Informações positivas, como um portfólio, textos de sua autoria ou algum trabalho acadêmico publicado, ficam nas primeiras posições. Já aquelas informações não tão boas, como uma discussão desagradável em algum fórum na internet e até uma foto embaraçosa de uma festa de anos atrás, caem de posição.
O Reputation Defender, principal serviço do site, é pago, mas fazendo apenas um cadastro no site já é possível saber como anda a sua reputação e encontrar os melhores resultados sobre você na internet.

Por Juliete Lunkes

quarta-feira, abril 11, 2012

Universitários na melhor idade

Eles já passaram dos 60, estão estabilizados profissionalmente e não querem parar de estudar. Conheça a história de um acadêmico de Jornalismo e de um doutorando em Administração e Turismo que têm idade para ser pais ou avôs de seus colegas de aula.

Aos 64 anos, o médico Roberto Dávila está a alguns meses de sua colação de grau, dessa vez na faculdade de Jornalismo. O acadêmico que já cursou Ciências Biológicas, Medicina, Administração, Ciência Política e Direito – além de algumas pós-graduações – já fez as fotos para o convite da formatura e se dedica agora ao trabalho que vai apresentar para a banca no fim do semestre.
 A vontade de voltar para a vida acadêmica, mesmo já sendo um médico bem-sucedido, surgiu no começo da década de 1980, quando Roberto começou a participar de processos políticos eleitorais. Para entender melhor como administrar uma campanha política, decidiu entrar no curso de Administração. Depois de formado, achou que seria essencial ter a faculdade de Ciência Política no currículo. Graduou-se como o primeiro aluno da turma e, não satisfeito, foi fazer a matrícula no curso de Direito. Ele queria entender melhor os processos do partido nos tribunais eleitorais. Mais tarde, o Jornalismo surgiu da necessidade de elaborar bons artigos.
Além de passar boa parte do dia no hospital, Roberto também administra uma empresa de construção. Mas será que dá tempo de trabalhar tanto e ainda se dedicar a tudo o que uma faculdade exige? “Dá e sobra!”, garante o acadêmico. E o segredo para a abundância de tempo ele também revela: dormir pouco.
Roberto acorda todos os dias às 6h e já levanta no pique para cumprir todas as suas obrigações. “Tudo é feito mais ou menos metodicamente”, revela o aluno que não fica atrás de nenhum de seus colegas mais jovens nas funções acadêmicas. Aliás, sua relação com os colegas também costuma ser muito boa. “Não faço diferenciação e nunca sofri nenhum constrangimento”, conta.
Em julho deste ano Roberto sairá mais uma vez pelos portões da Univali com um diploma na mão, já garantindo que volta no ano que vem. “Mas dessa vez será algo voltado para mim e não para a vida política. Pretendo entrar no curso de Psicologia e também no de Música”, planeja. Depois disso, só o futuro dirá. O que não está nos planos é um dia parar de fazer uma das coisas que mais gosta: estudar.

Doutorado depois dos 60 

Graduado em Contabilidade em 1974, o professor Eloy Fenker decidiu dar continuidade aos estudos três anos antes de completar 60. Em meados da década de 1980, quando começou a cursar disciplinas do mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não se sentia motivado o suficiente e por isso não chegou a concluir a dissertação. “Na época, o mestrado ainda não era tão valorizado”, explica. Mas 17 anos depois de ter abandonado o curso, a história mudou.
Em 2007, Eloy entrou no Mestrado em Contabilidade, e dessa vez foi até o fim. Concluiu o curso em 2009, com 59 anos e, com um pique muito maior do que quando tinha 30, insistiu que ainda não era hora de parar os estudos. No ano seguinte, entrava no Doutorado em Administração e Turismo da Univali.
Para ele, cursar doutorado após os 60, já com uma bagagem de vida e experiência acadêmica, é ainda melhor, já que pode associar o estudo com atividades que ele já desenvolveu. “O estudo após os 60 anos não visa prioritariamente a preparação para a carreira profissional, mas uma realização pessoal, por isso ele é muito prazeroso”, explica. Como não tem tanta obrigação com desempenho, bolsa de estudos ou prazos rígidos para cumprir, Eloy considera que o estudo se torna muito mais leve, embora demande mais concentração e esforço do que para um jovem.
Assim como o acadêmico de Jornalismo Roberto Dávila, Eloy considera a relação com os colegas mais jovens muito construtiva: “Como tenho a vantagem da idade, sou visto de certa forma como alguém mais experiente e protetor, a quem muitos recorrem para pedir auxilio e tirar duvidas“.

Por Juliete Lunkes